•  14 jun 2016  •

Terríveis dois anos – Não tão terríveis assim!

Oi mamães! O post de hoje é sobre uma fase que estamos passando aqui em casa: Os 2 anos do Lorenzo. E com eles vêm os “terríveis dois anos”!

Quem me acompanha do comecinho do blog, deve estar passando pela mesma fase , então quero compartilhar com vocês como estamos lidando com os “terríveis dois anos” (não tão terríveis assim!).

Como vocês já sabem, gosto de ler livros sobre maternidade e sempre tiro algo para acrescentar em nossas vidas. Sei que cada bebê é diferente um do outro e que cada família também, por isso sempre digo que o que serviu para mim pode não servir para você e vice-versa.

terriveis dois anos

 

Outro dia li um post de uma mãe no Facebook, num grupo de mamães do qual eu faço parte aqui nos EUA, e ela compartilhou um artigo do livro ” Crianças Francesas não fazem manha”. Eu já li o livro e não foi um dos meus favoritos, justamente por não ter me identificado com o modo com que os franceses educam seus filhos.

Li os poucos comentários que lá estavam, algumas mães elogiando o livro e outras nem tanto e algumas diziam que não o conhecia. Resolvi colocar minha opinião e demos inicio a um bate-papo com vários pontos de vistas diferentes, porém, a maioria também não gostou do livro.

Para quem ainda não conhece ou não leu, o inicio parece um conto de fadas, com crianças extremamente educadas, que na hora do jantar começa comendo folhas e termina com queijos e que dorme a noite inteira desde o primeiro ano (ou meses) de vida. Quem não quer não é mesmo?

Conforme a leitura se estende, talvez, você assim como eu vá achar o livro um pouco (ou muito) “robô” demais. Talvez comigo não funcionaria (se eu quisesse colocar em prática) tudo o que diz o livro, e hoje revendo algumas páginas para escrever este post, vejo que as coisas estão até caminhando por aqui, porém, o caminho percorrido e o que ainda estamos percorrendo, não foi o mesmo e nem ao menos parecido com o modo de educar dos franceses.

Meu objetivo neste post não é fazer um resumo do livro, vou apenas destacar alguns pontos que eu acho interessante e mostrar para vocês meu ponto de vista e minha experiência até aqui com o Lorenzo.

O jeito brasileiro de educar os filhos é muito semelhante ao jeito americano. Ver uma criança fazendo birras em qualquer canto é “normal e natural” por aqui ou por aí no Brasil também. Entenda-se “normal” porque é uma criança e crianças fazem isso, o que não quer dizer que não tenha que haver intervenção do pais ou que olhamos isso como um ato correto.

Essa fase de birras do Lorenzo começo logo que chegamos em Nova York, ele estava com 1 ano e meio. Muita coisa estava acontecendo junto, mudança de país, de casa, de quarto, de clima. Foi estressante para nós adultos, imagina pra ele!

Percebi algumas mudanças no comportamento do Lorenzo, a principio, sempre que saíamos. Ele começou com choros e gritos sempre que queria algo ou o brinquedo de outra criança, e eu, não sabia exatamente o que fazer nessas horas e ficava frustrada de tantas vezes que explicava e ele não obedecia. Eu ficava um pouco constrangida, não estava no meu país, e também não sou super fluente no inglês. Mas fui notando o comportamento de outras mães e das próprias crianças e vi que a atitude da maioria era bem parecida.

Todas as vezes que saíamos eu voltava frustrada porque não conseguia sentar num restaurante para comer ou ele não queria ficar quieto no carrinho. Mas eu também acho que foi uma fase que ficou mais difícil pra mim porque eu estava sem ajuda, morando em outro país, sem descansar, fazendo e resolvendo muitas coisas por conta da mudança. Mas depois que nos mudamos para nossa casa mesmo, os dias foram passando e as coisas melhorando.

Mas eu sabia que a fase de birras ainda nem tinha começado, foi ai que fui procurar ajuda nos livros e comecei a ler Crianças francesas não fazem manha.

Como já disse no começo do post, no inicio do livro achei um sonho ter um filho com as características das crianças francesas. Mas não me identifiquei mais a partir do momento em que li uma parte que diz que as mães francesas não vivem em função dos filhos nem tratam as crianças como pequenos reis. Elas não toleram birras, não negociam nem passam o fim de semana acompanhando os pequenos em parquinhos ou festas infantis.

Tá, mas você pode até estar pensando, que elas estão certas! Realmente não devemos tratar as crianças como pequenos reis e também penso que não se deve haver negociações (em alguns casos), mas eu simplesmente não consigo ser dura e fria na educação do meu filho.

Não estou dizendo que os franceses são frios a maioria do tempo, até porque não conheço pais franceses, só americanos. Mas se você ler o livro irá me entender! Eles esperam muito de uma criança, apesar de serem apenas crianças! No meu ponto de vista, se as crianças francesas forem tudo isso mesmo, pra mim, são mini adultos!

Agora deixando o livro um pouco de lado (senão esse post ficará muito longo) quero falar um pouco de um livro que eu simplesmente AMEI. Chama-se “Já tentei de tudo” da autora Isabelle Filliozat. Esse livro abriu minha mente e meus olhos, ainda que seja diferente de tudo aquilo que já li, ele nos diz o que fazer, como agir em cada situação, além de ter explicações concretas que me convenceram a pensar diferente sobre birras e ataques de raiva.  Possui varias ilustrações que tocam nosso coração, porque são probleminhas do nosso cotidiano que não paramos para pensar em como estamos agindo com nossos filhos.

Sabe aquilo que todas nós ouvimos quando nossos filhos estão fazendo birras?

Ele está te manipulando!

Deixa chorar que uma hora ele se cala!

Eu hoje, mudei meu comportamento diante das crises de choro e gritos do Lorenzo. Procuro ficar calma, e não deixo ele chorando até se calar. Justamente porque aprendi com esse livro que durante uma crise de raiva, o sistema nervoso da criança, sobrecarregado, desencadeia uma reação de descarga das tensões acumuladas. Você pode até pedir que ela se acalme, mas a crise é sua maneira de se acalmar.

Não importa quantas vezes eu tenha que repetir a mesma coisa, eu sempre tento acalmar o Lorenzo, sem ceder ao que ele está pedindo. Não o deixo chorando e viro as costas, eu abraço, passo a mão no seu rosto e peço que ele se acalme. É muito importante também tentar enxergar no meio deste tumulto quais foram as causas desta explosão. Ás vezes a criança estava com sono, com fome, cansada e já vinha dando sinais.

Veja um exemplo fantástico do livro:

“Um supermercado satura rapidamente as capacidades de uma criança. Muitas cores, objetos, sons, sem contar as tensões do ambiente, a irritação dos adultos e quem sabe, até a inatividade, quando a criança é obrigada, além de tudo, a ficar sentada no carrinho.”

É comum ver uma criança fazendo escândalo num supermercado não é?

É ai que eles pedem balas, sucos, bolacha recheada. A autora nos ensina a mudar o cenário dando uma atividade para a criança de acordo com a sua capacidade.

Quando vou ao supermercado com o Lorenzo, vou entregando as frutas e ele vai colocando no saquinho. Ao mesmo tempo vamos conversando e vou ensinando os nomes das frutas para ele. E de verdade, não tive problemas de escândalos ou ele querendo sair do carrinho.

O livro tem muitos exemplos de situações corriqueiras que já passamos ou ainda iremos passar. O bom, é que ele nos dá exemplos de como agir.

Quando o Lorenzo quer o brinquedo de outra criança, hoje eu explico pra ele que não é dele, e mudo o foco. Tiro ele do lugar, mostro algo que ele possa se interessar. Tem funcionado comigo!

Hoje ele continua fazendo birras? Sim! Claro! Ele está com 2 anos e 3 meses, estamos no auge dos “Terribles Two” mas gracas a Deus eu tenho conseguido ajudar ele (e eu também) a passar por essa fase. Acredito que temos que ter muita paciência, amor e sabedoria. Explicar sempre! Porque eles entendem o que a gente fala! Mas eles querem saber dos seus limites.

Depois que completou 2 aninhos, o Lorenzo ficou mais seletivo com a comida por exemplo. Se ele olha para o prato e vê algo que ele não quer comer naquele dia, ele diz que não quer. O que eu faço? Não forço! Eu ainda ofereço algumas vezes, tento misturar com o restante da comida, mas se ele realmente não quiser, eu paro!

Educar com amor, não quer dizer deixar fazer tudo o que a criança quer. Muito pelo contrário! Eu educo assim porque não quero que ele sofra ao levar um não quando estiver maior! Quero que ele aprenda a lidar com suas frustrações (quando nego algo a ele), porque a vida é dura, e nem sempre ele terá o pai e a mãe por perto.

Mas também não sou a favor de dizer NÃO para tudo! Certo dia, vi um vídeo de uma senhora, chamada Elizabet Monteiro, que também é escritora. O vídeo era muito interessante, onde ela dizia que uma criança boazinha, educadinha, que aceita tudo pode até ser o sonho de muitos pais, mas nem sempre é uma criança saudável. Geralmente, essas crianças que abaixam a cabeça pra tudo é porque desistiram de lutar por elas mesmas! E acabam aceitando tudo o que os pais dizem porque querem ser amadas.

“A obediência deve nascer da compreensão daquilo que os pais exigem da criança”. Do vínculo afetivo, do amor, e nunca da autoridade, da palmada, do grito, da ameaça, da imposição da perda do amor.

Não devemos chantagear a criança dizendo: A mamãe não gosta de você quando faz isso!

Você fez bagunça!

Converse com o seu filho. Você pode achar que não está surtindo efeito, ou que a criança não está entendendo e você está perdendo o seu tempo. É importante para a criança passar por essa fase, é nela que sua personalidade está se formando. O que acontece é que a criança quer testar suas habilidades e capacidade para fazer algo, o que ela não consegue distinguir é o certo do errado.

Dia desses, eu estava trocando a fralda do Lorenzo e comecei a cantar uma musiquinha que cantava pra ele há um tempo atrás, antes dele começar a falar. Quando comecei a cantar, ele foi me acompanhando e quando eu parei ele continuou! Ou seja, ele lembrava, ele sabia a letra, mas nunca havia cantado!

Percebi que as coisas que falo, ficam na cabecinha dele. E não importa o quanto o tempo passe, eles se lembrarão e irão entender o que pode e o que não pode ser feito. Por mais que às vezes a gente ache que eles fazem pirraças para nos provocar, nos desafiar, pense que as crianças até seus 4,5 anos não possuem capacidade intelectual para tal. Muitas das vezes, essas crises de raiva, choros sem motivos são algumas das manifestações de perturbação do sistema nervoso. Por isso, é muito importante o contato físico, o carinho, a dedicação por alguns minutos ou horas do seu dia com seu filho.

Espero que tenham gostado do post, ficou grande, mas acho que não faltou nada rs.

 

Super beijo!

Josi

4 Comentários
Saúde e Bem Estar
4 Comentários
  1. Pamela   em 15/06/2016 - 09:11

    Olá Josi, adorei sua colocação e seus pontos sobre os livros, li Crianças Francesas não fazem manhã, a princípio fiquei me achando culpada exatamente por não dominar daquela forma minha filha, mas hj ela com 2 abos e 1 mês, também acredito que não seja para mim a melhor forma de educar minha filha. Vou ler o outro livro. Bjos

  2. Luciana   em 13/10/2016 - 09:52

    Olá Josi, bom dia! Adorei o modo como expôs esse tema que vem sendo difícil pra mim! Ando procurando tudo pra ler e me orientar porque não está fácil!! rs. Meu filho completará dois anos na próxima semana e além de ter nascido prematuro, essa fase chegou antes do tempo também! Não, não funciona pra ele, e se não o deixamos fazer algo que queira, grita e começa a cuspir!! Quero morrer com isso!
    O que percebo é que temos que encontrar o jeito correto de conduzir as coisas tentando não estressar. Vou ler o livro que indicou e acredito que encontrarei boas dicas! Obrigada!

    • Josi Alves   em 18/10/2016 - 12:52

      Oi Luciana! A palavra chave é paciência! Não é fácil mesmo, mas educar dá trabalho! Quando o Lorenzo tem os ataques de birra dele, eu respiro fundo e na maior calma explico que não pode. Neste momento ele está se jogando no chão, gritando, mas não podemos ficar nervosas se não a coisa fica pior. Quando isso acontecer, não olhe para os lados, neste momento o que mais importa é o seu filho. Crianças são assim, e ele vai aprender que não pode ter tudo o que quer. Mas acho que o carinho é fundamental nessas horas, assim como a paciência. Se não pode, não pode e ponto! Mas tem algumas formas de dizer isso, tenha calma, respire fundo e pense que um dia isso passa! Aqui tbm não é fácil viu?! rs Beijos

      • Regina   em 08/05/2017 - 20:16

        Josi….Que ótimo mesmo depois de tanto tempo eu encontrar esse post, que lindo… essa pequena entrada,já me ajudou muiiiiito!!!!
        Sou mae do Samuel, de 02,1mes…Ele é meu filho numero 5(o five de casa)…
        Minha mais velha tem 24 anos…Estou com 44,então *não tô sabendo lidar*
        Mas já vou providenciar o livro que mencionou!!!
        Obrigada pela dica!

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