•  07 nov 2016  •

Carta de um recém-nascido à sua mãe

Querida Mamãe,

Eu e você fomos um só por nove meses. Duas almas em uma só.

Sair deste abrigo úmido, quentinho e seguro para um mundo cheio de ar, temperaturas instáveis e pessoas não me deixam seguro. Preciso de você, Mamãe, bem pertinho. Do seu colo, do seu cheiro, das suas vibrações e da sua voz a cantarolar, como ouvia muito ainda na sua barriga. Um lembrete dos velhos tempos.

recem-nascido

Para mim, eu ainda sou você, Mamãe. Eu sinto o que sente, Mamãe. Sinto sua alegria antes mesmo que sorria. Seu desespero antes mesmo de chorar. Sua angustia antes de gritar. Por que estou tão conectado a você, minha mãe, que não basta aparecer bem para mim. Eu sei o que se passa lá no fundo contigo. Afinal, quem mais ouviu seu coração bater lá de dentro?

Não se sinta insegura, Mamãe. Não exija tanto de si. Sou seu espelho. E fico bem quando estiver bem, mesmo que para você esteja sendo “menos eficiente”. Preciso tão pouca coisa e muito de você.

Me sinto inseguro ainda com muita gente querendo me tomar de ti, Mamãe. Eu ainda não entendi nossa separação de corpos. Aos poucos vou entendendo. Mas, por hora, prefiro ficar quietinho, no aconchego de seu colo.

Mamãe, peça por mim paciência a todos que me amam. Já já entenderei melhor deste mundo e vou adorar outros colos e carinhos. Outros afagos e beijinhos.

Por hora, não choro só por fome, frio ou por que preciso ser trocado não, Mamãe. Não sei o que é ser manhoso também, como dizem as visitas. Choro por que ainda estamos conectados na alma, mas não habito mais seu corpo e ouvir seu coração bater me dá acalento.

Posso estar exigindo demais de você. Mas prometo, Mamãe. Essa fase passa!”

Por Marrie Ometto

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